Waze, app de GPS com dados atualizados por usuários, ganha versão brasileira

A versão brasileira do Waze, aplicativo de GPS com o qual usuários podem trocar informações atualizadas sobre o trânsito, foi lançada hoje. O aplicativo em português brasileiro, com mapas de todo o território nacional, já está disponível para iOS e Android.

Uri Levine, fundador do Waze, veio ao Brasil para anunciar a novidade. “É o quarto país com maior número de veículos no mundo, atrás só dos EUA, do Japão e da China. Pelo número de downloads do aplicativo por brasileiros, tínhamos a sensação de que devíamos vir ao Brasil.”

Há 400 mil usuários do Waze no país, segundo a empresa. Entre eles, 15 mil atuam ativamente nos horários de maior trânsito. No mundo, há mais de 19 milhões de usuários. Em Israel, onde fica a sede do serviço, são 2 milhões. Levine diz que, em média, um quinto dos veículos que circulam por Israel tem o Waze ativo.

A participação dos usuários é algo de que o Waze depende. Informações sobre tráfego, acidentes, câmeras, tempo e presença da polícia são fornecidas pelos próprios usuários, por meio de botões da interface. Além disso, até os mapas vão sendo construídos pela comunidade do Waze.

 

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Ícones do Waze para alertar sobre fatos relacionados ao trânsito


Quando um carro atravessa um trecho ainda não conhecido pelo Waze, o sistema do aplicativo é capaz de gerar um desenho do mapa. Aos poucos, à medida que mais usuários passam pelo mesmo trecho, o desenho se consolida. No site do Waze, os usuários atualizam os nomes das rodovias.

Em Israel, 100% dos mapas do aplicativo foram gerados pelos usuários, assim como em toda a Europa. Os mapas do Brasil foram gerados com a ajuda da empresa de mapas digitais Multiespectral. “Com a parceria, podemos acelerar o processo de criação dos mapas”, afirma Levine. Ainda assim, usuários podem alterar os mapas.

Mas até que ponto é possível confiar nestas informações? “Você pode confiar na comunidade do Waze assim como confia na Wikipedia ou em certos serviços do Google que dependem de informações dos usuários”, diz Levine.

Há um sistema de aprovação dos dados fornecidos pelos usuários, por meio de caixas de diálogo que questionam a validade das informações. Se um dado é refutado pela maioria dos usuários, ele é excluído do mapa.

Além disso, o próprio sistema do Waze tem algumas espertezas para evitar erros e mentiras. “Se você estiver dirigindo em alta velocidade e relatar que há tráfego intenso, o sistema não vai aceitar sua informação.”

Aos poucos, o Waze aprende padrões de comportamento de seus usuários. Se alguém sai de casa todos os dias no mesmo horário para ir a determinado lugar, o aplicativo passa a perguntar, depois de algumas repetições, se a rota vai ser a mesma dos dias anteriores –com isso, não é necessário inserir o endereço de novo.

Recursos sociais também estão presentes no Waze, como um bate-papo e um sistema de recomendação de locais. O usuário pode optar por diversos níveis de privacidade –inclusive por ficar anônimo.

 

Por Leonardo Luís, colaboração para a Folha

Fonte: Portal Folha