Turistas podem ficar sem auxílio durante a Copa do Mundo, dizem agências

Do Portal 180 Graus

Uma das vitrines apresentadas pelos defensores da Copa do Mundo, o turismo brasileiro pode não faturar tanto quanto vislumbram alguns personagens públicos, ávidos por ter o apoio popular para o Mundial. As agências que facilitam a vinda do visitante ao País, por exemplo, serão prejudicadas pela Fifa, que centraliza a venda dos ingressos para os jogos do Mundial e impede que as empresas ofereçam serviços ao turista, de forma que muitas das atrações podem ficar ociosas durante a Copa e a economia do Brasil não seja tão impactada.

Como faz a venda dos ingressos para os jogos apenas em seu site, a Fifa atrapalha o planejamento das empresas de turismo do Brasil. Sem saber quem é o turista, elas não podem oferecer pacotes com a diversidade de atrações que tem o País, além de dar mais trabalho ao próprio visitante, que pode ficar sem hotel ou passagem de avião, como explica o presidente da Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo), Marco Ferraz.

— [A centralização] vai prejudicar. Se a gente [agentes de turismo] tivesse os ingressos do jogo, poderíamos fretar um número grande de aviões, bloquear um número grande de quartos em hotéis, fazer um serviço receptivo nos locais, levar para ver atrações, fazer passeios antes e depois dos jogos. Poderíamos levar para a praia em Santos, no Guarujá. Ou para Campos do Jordão, [a Copa] vai ser em uma época de frio. Então, desse jeito, a gente está fora.

Para Ferraz, sem a atuação das agências de turismo, toda a “cadeia” fica prejudicada, podendo culminar com a ociosidade das atrações, já que o visitante, sem orientação, não deve estender sua passagem pelo Brasil.

— Se o turista não é direcionado, orientado, ele vem no dia do jogo e volta no dia seguinte ou até mesmo no dia dos jogos. Então toda essa parte de turismo vai estar prejudicada porque os operadores, que são os “experts”, não vão atuar.

Na Copa da África do Sul 2010, a falta de integração nas ações de turismo prejudicou quem foi assistir ao Mundial. Sem pacotes de viagens, alguns torcedoers tiveram que lidar com preço de passagens e quartos de hotéis, além de pouco aproveitar a oferta de atrações. Após a competição, um balanço feito pelo governo sul-africano admitiu que o ganho nesse setor ficou abaixo do estimado.

Como exemplo mais recente, pode-se usar a experiência britânica com as Olimpíadas de Londres 2012. Apesar de ter todos os ingressos vendidos com antecedência, algumas das competições tiveram público abaixo do esperado. E o mesmo se repetiu em locais turísticos e no comércio, resultando em lucro bastante ínfimo, como repercutiu a imprensa local.

Enquanto as agências se sentem excluídas, o governo prepara uma série de investimentos para “mostrar o Brasil ao mundo”, diversificando a oferta de atrações turísticas. Em parceria com a Embratur (Empresa Brasileira de Turismo), o Ministério do Turismo elabora um “roteiro amplo e variado” para manter o visitante no País por mais tempo e, consequentemente, fazê-lo gastar mais, movimentando a economia.