Turismo vai negociar com bancos linha de crédito para viagens

Por Jamil Chade, do Jornal O Estado de S. Paulo

O Ministério do Turismo vai negociar com bancos a criação de linhas de crédito para permitir que idosos, aposentados e trabalhadores em férias coletivas possam pegar empréstimos em condições preferenciais para realizar viagens de turismo pelo Brasil. O anúncio foi feito na semana passada em Londres pelo ministro do Turismo, Gastão Vieira, e tem como meta salvar a situação dos hotéis que ameaçam não serem usados após a Copa de 2014 e dos Jogos de 2016.

“Queremos que o brasileiro viaje”, disse o ministro. Nas próximas semanas, ele se reunirá com bancos oficiais, Banco do Brasil e Caixa Econômica para iniciar uma negociação para a criação de linhas de crédito, permitindo que a pessoa interessada possa pagar por pacotes de viagens em até dez vezes, com juros mais baixos do que os cobrados por agências de turismo.

A etapa seguinte será a de negociar a adesão de redes de hotéis e de empresas aéreas no sistema, o que daria um impulso a locais que sofrem para atrair turistas na baixa estação e outros que precisam construir hotéis para a Copa do Mundo, mas que temem serem usados por apenas o mês do Mundial em 2014.

Aldo Rebelo, ministro dos Esportes, já admitiu que certas cidades correm o risco de ver a construção de hotéis que, após o Mundial, ficariam vazios.

Segundo o ministro do Turismo, a solução poderia ser justamente facilitar a viagem da Terceira Idade. Um programa similar já havia sido estabelecido, mas não deu resultados esperados e não contava com ampla adesão de hotéis.

A Terceira Idade é vista como um importante potencial econômico. Os cálculos do governo e de que o Brasil gerou uma população idosa em 20 anos equivalente ao que a França levou cem anos para atingir.

Outra possibilidade seria incentivar empresas a usar o dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para financiar as férias coletivas de seus trabalhadores. A estimativa do governo é de que 185 milhões de viagens são realizadas por ano pelos brasileiros. Mas a perspectiva é de que o mercado poderia ser pelo menos dobrar.