Turismo sustentável: como viajar sem prejudicar o planeta

ONU destaca 2017 para alertar sobre os impactos negativos e positivos da atividade no mundo em que vivemos

RIO – Embarcar em um avião, usar toalhas limpas diariamente em um hotel e visitar um monumento que está em todos os guias. Você pode até não saber ou perceber, mas mesmo as atitudes mais comuns em uma viagem podem causar impactos ambientais e sociais para os destinos visitados. Para lançar uma luz sobre os efeitos negativos do turismo — sempre associado a uma atividade econômica menos agressiva — a ONU designou 2017 como o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento. E lançou uma questão a todos: como ser um turista melhor para o planeta ou ao menos para o lugar onde vamos passear?

Não esquecer nenhuma luz do quarto acesa, não se demorar no banho, caminhar ou pedalar em vez de usar o carro e respeitar a vida selvagem são os passos mais evidentes no caminho da sustentabilidade. Mas não são os únicos. O conceito vai além do meio ambiente e abraça o desenvolvimento econômico e os aspectos socioculturais.

Ou seja: não adianta um resort se preocupar com o consumo de água se representa um risco à preservação do modo de vida local, por exemplo.

— O objetivo das Nações Unidas foi exatamente conscientizar que todos podem e devem participar desse processo. Os visitantes, com atitudes simples mas que podem fazer a diferença, as empresas, com práticas sustentáveis, e os governos, com políticas públicas — diz a consultora da ONU Meio Ambiente (antigo Pnuma), Fernanda Daltro.

Faça o teste: quão sustentável você é quando viaja?

Essas responsabilidades aos poucos começam a ser assumidas. Muitos hotéis, agências de viagens, operadoras de turismo e companhias aéreas e de cruzeiros já implementam práticas sustentáveis, ainda que como diferencial de mercado. Países como a Costa Rica, que tem um certificado para hospedagens ecologicamente corretas, e a Alemanha, que criou um site com roteiros e empresas sustentáveis no país, já tratam o assunto mais seriamente. No Brasil, o Ministério do Turismo lançou em 2016 um manual de sustentabilidade voltado para as empresas do setor.

O ministério também indica no Mapa do Turismo Sustentável no Brasil as iniciativas vencedoras e finalistas do Prêmio Braztoa de Sustentabilidade, promovido pela Associação Brasileira de Operadoras de Turismo e chancelado pela Organização Mundial do Turismo (OMT). A premiação é só um indicativo de que o tema começa a ser valorizado pelo mercado brasileiro, segundo a CEO da Braztoa, Monica Samia:

— Notamos uma conscientização maior dos empresários e dos consumidores. A nova geração já chega com uma visão diferente de mundo e passa essa demanda para o mercado.

Parte dessa demanda é por experiências autênticas, matéria-prima do chamado turismo de base comunitária. São projetos que integram o visitante a comunidades fora dos roteiros tradicionais, seja na zona rural de Minas Gerais ou numa aldeia nos Andes.

Um modelo que prevê a divisão mais justa do bolo do turismo, responsável por um em cada 11 empregos e por 10% do PIB mundial, segundo a OMT. E que pode apontar para uma alternativa ao turismo de massa que satura e até mesmo põe em riscos destinos como Veneza.

Atitudes do viajante sustentável

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Fonte: O Globo