Medidas simples podem garantir sucesso na viagem de férias

Por Luciano Calafiori, do G1

Atitudes simples podem garantir que a viagem de férias termine com boas lembranças e não com boletins de ocorrência, reclamações e horas e horas perdidas buscando direitos que nem sempre os turistas sabem que estão a seu favor na relação consumidor e prestador de serviço.

Com as passagens compradas, de avião ou ônibus, o passageiro pode evitar a perda da bagagem se a identificar bem, principalmente na hora em que elas rolam pelas esteiras de aeroportos do Brasil e do mundo.

Duas dicas simples e importantes são: coloque um adesivo na mala, para que ela possa ser visualizada de longe após ser despachada do avião. Outra medida é usar e preencher as fichas fixadas nas malas com nome completo, endereço e um telefone de contato do passageiro. Se possível, forneça também os contados de uma pessoa que não está na viagem.

OBJETOS DE VALOR
Por medida de segurança, objetos de valor e eletrônicos jamais devem ser despachados nas malas, devido ao risco de furto. O G1 ouviu relatos de turistas que tiveram até roupas levadas das bagagens em voos internacionais. “Fomos roubados quando chegávamos a Nova Iorque, nos Estados Unidos. Levaram algumas peças de roupa da minha filha. Como só fomos perceber no hotel, nem demos queixa”, disse o consultor Ney Bretanha Galvão, experiente em viagens internacionais a trabalho e em férias com a família.

“O ideal é viajar sem malas para despachar e usar malas de mão, quando possível”, recomenda o consultor.

Diretora de operações da agência Clube Turismo, em Campinas, Alice Ribeiro Assad reforça que o passageiro jamais deve perder de vista a bagagem, seja ela de mão ou despachada. O número de furtos de bagagens no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, aumentou 86,9%, segundo o balanço da Polícia Federal.

Outra dica importante no quesito segurança é usar o cadeado tipo TSA, que permite que a autoridade aeroportuária abra o dispositivo de segurança sem quebrá-lo. A diretora de operações recomenda que os lacres de plástico sejam evitados, principalmente os oferecidos pelas companhias aéreas, porque estouram com facilidade.

Mas ela ressalta que nas viagens, principalmente as de avião, é essencial adquirir no pacote de férias o seguro viagem, que custa em média 1% do valor total. “O seguro pode cobrir extravio de bagagem, acidentes, perdas e procedimentos médicos”, explica Alice Assad.

Quando chegar ao destino, o turista também deve manter os cuidados no hotel. A diretora da agência Clube Turismo aconselha que a mala seja mantida trancada no quarto, mesmo se estiver vazia. Objetos de valor como computadores portáteis devem ser guardados no cofre, quando a acomodação oferecer este dispositivo.

Se não forem necessários, os eletrônicos não devem ser levados nos passeios pela cidade escolhida para as férias. Muitos assaltantes aproveitam da distração em bares e restaurantes para levar computadores, máquinas fotográficas e de filmagem.

“O passageiro também não deve deixar dinheiro e documentos em lugar visível o quarto”, orienta Alice Assad. No caso de documentos, o turista deve levar uma cópia autenticada e, quando deixar o quarto, manter a cópia no cofre e andar com o original, pois a polícia local pode não aceitar cópias em algumas ocasiões, como, por exemplo, em viagens de trens pela Europa.

Quem está em férias no Brasil ou no exterior não deve carregar grandes somas em dinheiro nos passeios. No exterior, o ‘dinheiro de plástico’ é uma facilidade que deve ser considerada. Hoje em dia, os cartões de crédito internacional e os cartões que podem ser servir de débito em qualquer lugar do mundo reduzem as chances de prejuízos. “É bom levar um cartão. Levar dinheiro em espécie é necessário, mas é bom levar dinheiro em cartões”, recomenda o consultor Ney Bretanha Galvão.

FURTOS E ROUBOS
Apesar das facilidades dos cartões de crédito e débito, os turistas não estão isentos de furtos e roubos nos destinos de férias ou feriados prolongados. O casal de namorados Marisa de Oliveira e Paulo César Cardoso viveram um drama em uma viagem recente a Santiago, capital do Chile.

Hospedada em um hotel, Marisa teve sua bolsa com documentos e dinheiro roubados dentro do salão onde tomavam café da manhã. Duas mulheres se aproximaram da mesa onde eles estavam e roubaram a bolsa, que estava apoiada na cadeira. O casal conseguiu um vídeo do hotel em que as duas suspeitas aparecem levando os pertences da Marisa. “Foi um grande problema”, lembra Marisa.

O namorado relata que a experiência ruim de vê-la sendo vítima de furto dentro do hotel aumentou após o contato com os responsáveis pela hospedagem. “Aí começou outro problema. Demorou uma hora para alguém nos atender e ainda disseram que a culpa era nossa porque não cuidamos do nosso bem. Tentamos quatro ou cinco vezes falar com o gerente, mas ele estava sempre incomunicável”, disse.

O casal contou ainda que eles foram fiscalizados para que não contassem o ocorrido para outros hóspedes, mas antes de deixar o hotel em Santiago escreveram à mão um relato de tudo o que aconteceu e entregaram aos funcionários e ficaram com uma cópia, além de terem registrado o caso na polícia chilena e na embaixada, onde foram informados de outros casos semelhantes envolvendo turistas brasileiros naquela semana. Já no Brasil, tentaram ajuda da Operadora Ancoradouro, com sede em Campinas, mas não receberam qualquer ajuda, segundo relataram ao G1. A empresa se manifestou em forma de nota. Veja abaixo:

A Ancoradouro informa, por meio de sua assessoria jurídica que, dentro de suas possibilidades, acompanhou o fato e prestou toda a assistência possível à passageira, acionando o operador com quem trabalha no Chile. Continua acompanhando o desenrolar da situação junto ao hotel, assim como as providências que serão tomadas, uma vez que o episódio ocorreu nas dependências do mesmo.

ORIENTAÇÕES
A diretora do Procon de Campinas, Viviane Carvalho de Moura Belmont, lembra que as operadoras de turismo têm deveres em relação aos seus clientes. O Código Brasileiro do Consumidor prevê a responsabilidade solidária. ‘As operadoras têm de informar, orientar, não é só vender e tchau. Precisa dar assistência, ou pode ser incluído como má prestação de serviço. O hotel também tem responsabilidade’, orienta.

De uma forma geral, a especialista em direito do consumidor alerta que o viajante também precisa ler com atenção o contrato, colocar no papel tudo o que for prometido verbalmente e imprimir. Tudo o que for ofertado pode servir de prova’, explica Viviane Belmont.

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