Denatran convoca sociedade a construir manuais de boas práticas

A iniciativa é inédita e espera obter contribuições dos Centros de Formação de Condutores, dos profissionais da área de trânsito, dos órgãos pertencentes ao Sistema Nacional de Trânsito e demais seguimentos da sociedade organizada que queiram contribuir para a criação de dois manuais de boas práticas. Um deles é o Manual de Boas Práticas na Formação do Condutor e o outro é o Manual de Boas Práticas de Convivência no Trânsito.

 

Qualquer pessoa, entidade ou instituição pode encaminhar suas propostas, sugestões e material didático-pedagógico para a Coordenadoria Geral de Qualificação do Fator Humano no Trânsito, do Denatran.

 

Talvez, muitos esperassem já encontrar os manuais prontos para download ou para receber impresso. Claro que assim ficaria bem mais fácil para começar a aplicar e os farejadores de plantão teriam uma ótima oportunidade para tecer suas críticas nem sempre construtivas. Esse é o mal de muita gente: receber tudo de mão beijada, como tutela ou benesse.

 

O que mais se ouve em relação ao trânsito no Brasil é que está virado num caos, com muitas queixas, reclamações e insatisfações. Quando perguntados, motoristas, ciclistas e pedestres afirmam que conhecem os seus direitos e deveres no trânsito, mas continuam reclamando de uma coisa que, na verdade, vem de berço: os valores de convivência.

 

É com foco na necessidade de construção e de resgate dos valores de convivência, tais como: respeitar e saber esperar a vez do outro, tolerância, paciência, respeito ao próximo e à vida (um valor fundamental), responsabilidade pelo que faz no trânsito, respeito às diferenças, diálogo e humanidade acima de tudo, que o Denatran propôs a construção coletiva do Manual de Boas Práticas de Convivência no Trânsito.

 

É fato que esses e outros valores e virtudes são construídos de berço, em família, e o modo como as pessoas se comportam e convivem no trânsito reflete a soma de todas as suas experiências, aprendizagens, vivências, crenças, valores, comportamentos e modos de agir em sociedade. Mas, nunca é tarde para (re)aprender a conviver em sociedade e, principalmente, de forma pacífica e ordeira no trânsito.

 

Com certeza, trata-se de um documento a ser construído por todos, desde os especialistas no assunto até o cidadão sem essa formação, mas que, acima de tudo, é o melhor informante sobre si mesmo e sobre a realidade em que vive no trânsito. Um documento que depois de pronto estará acessível de forma gratuita à toda a sociedade para pautar as palestras educativas de trânsito, para orientar o trabalho dos professores e ampliar o foco de abordagem sobre o assunto, sobretudo nos temas transversais. Na verdade, são infinitas as possibilidades de utilização do referido manual.

 

Já com relação ao Manual de Boas Práticas na Formação de Condutores, trata-se de uma oportunidade dos CFC’s e seus profissionais, instrutores, examinadores, Centros de Treinamento de Habilitados, pesquisadores no assunto, educadores de trânsito, representantes sindicais e de diversas categorias relacionadas ao processo de ensinar e dirigir no Brasil, darem a sua contribuição.

 

É fato que dificuldades nós já temos e as restrições já existem por si só. Mas, imaginem o que temos de bons profissionais cuja contribuição fará toda a diferença! Imaginem o que temos de estudiosos sobre o assunto, de batalhadores aguerridos que lutam diariamente por um trânsito humano, pacífico, cujos comportamentos sejam fundamentados em valores de convivência e o quanto eles podem ajudar nessa construção!

 

Esperamos que as contribuições sejam significativas, sejam relevantes e que não se utilize de forma errada esse canal de abertura com o órgão máximo executivo de trânsito do nosso país como muro das lamentações, para lavar roupa suja ou para desfiar o rosário das insatisfações, até porque o endereço para este tipo de coisa é outro. É importante que cada apontamento venha acompanhado de sugestões.

 

Estamos falando de qualificação do fator humano no trânsito em todas as dimensões, seja no âmbito da responsabilidade individual e coletiva, mas também no campo do ensino e da aprendizagem da direção veicular.

 

As questões a serem respondidas neste momento e as sugestões giram em torno do que podemos fazer para mudar, para melhorar.

 

Para quem entende que o Denatran está se eximindo de suas responsabilidades e passando a batata quente para a população, adianto que não vejo dessa forma. Afinal, a horizontalização da comunicação, a abertura de canais de diálogo, a mobilização popular e a participação ativa e de qualidade são prerrogativas das mais democráticas que existem.

 

Além disso, o cidadão que faz o trânsito diariamente, que ensina e que aprende a dirigir são os melhores informantes sobre si mesmos, e colocar tudo nas mãos do poder público é assinar o atestado de insignificância de uma sociedade inteira.

 

A formação de condutores no Brasil, especialmente, vive um momento histórico: de debates, de diálogo, em que a sociedade organizada se debruça sobre a realidade que precisa urgentemente ser mudada. Cada um, cada cidadão, cada instituição, a sociedade organizada e os profissionais envolvidos no processo de ensinar e aprender a dirigir podem dar a sua contribuição. O Denatran está aberto ao diálogo e à construção conjunta dos manuais de Boas Práticas na Formação do Condutor e de Boas Práticas de Convivência no Trânsito.

 

As sugestões e encaminhamentos que abranjam a temática, como por exemplo, projetos e materiais didático-pedagógicos podem ser enviados pelo Correio ou por email à Coordenação Geral de Qualificação do Fator Humano no Trânsito do Denatran, até o dia 15 de março de 2014, no seguinte endereço: Setor de Autarquias Sul, Quadra 1, Bloco H, Ed. Telemundi II, 5º andar, sala 506, CEP 70070-010 Brasília-DF. Fones: (61) 2108-18150. E-mail: [email protected]

 

Fonte: Portal do Trânsito